sexta-feira, 22 de março de 2013

Questão religiosa

 Ontem foi Dia Internacional da Trissomia 21
e depois de  ler o blog da Ana
resolvi também abordar o tema.
Aqui não se faz o exame morfologico das 12 semanas (só em caso de gravidez de alto risco)
por uma questao religiosa
(aborto é ilegal).
Quando estava grávida de 12 semanas
e depois de muitas pesquisas e conversas com irmãs e amigas
fiquei apreensiva quando soube que não ia fazer o exame.
Falei com a medica e expliquei que em Portugal faziamos
e ela lá me explicou o porque (parte religiosa),
mas que tambem não via  motivos de riscos para o fazer
estava a ter uma gravidez saudavel, não tinha histórico de doenças na familia
mas deixou-me a vontade  para o  fazer
indicou-me a clinica
vim para  casa pensar
falamos muito (eu e o meu gajo)
e dissemos que este bebé tinha sido muito desejado, e já era muito amado
mesmo que viesse com alguma limitação era o nosso filho e tinha de ser amado sempre, e esquecemos ali o  assunto.
Mas
nem sempre é facil entender e aceitar estas diferenças culturais.
E subscrevo o que a Ana escreveu:
"Não gosto muito de tratar esta Doença como fosse algo terrível, mas vou abordar o quanto estas crianças e adultos tem para nos oferecer, além de serem especiais tem com eles um carisma que nos enche o nosso coração por serem meigos e por aprenderem a serem autónomos, há casos de sucesso é só nos aceitarmos"

4 comentários:

  1. Por ter tido um filho deficiente, conheço o sofrimento nesse campo.
    Não teria mais filho nenhum se não tivesse a hipótese de saber desde logo se era saudável ou não.

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  2. Escrevo, apago, não consigo exprimir bem por palavras o que penso disto. Bem, fiz o rastreio e o exame e o maior de todos os medos era que o resultado fosse positivo e o ter de tomar uma decisão. para mim julgo que seria uma decisão impossível de tomar. Não sei se é melhor saber ou não, não sei. Sei que foi um sufoco até ter os resultados e que sonhava constantemente com isso...

    No curso de preparação para o parto uma das raparigas referiu por alto que tinha passado por um aborto aos 5 meses e tal. Claro que ninguém perguntou os pormenores, pensei que tivesse sido espontâneo. Mais tarde ela contou que fez os exames e o bebé tinha t21 portanto fizeram o aborto. Eu acredito que ela não o fez com a ligeireza com que o contou.

    Spesar de obviamente n me ter manifestado, fiquei tão chocada... não é um aborto numa fase inicial da gravidez, há um bebé que está a poucas semanas de sobreviver fora da barriga da mãe, com ou sem t21 é uma vida... e t21 n o faz menos importante que qualquer um dos nossos filhos... não julgo as pessoas, quem passa pelas coisas é que sabe (como a amiga da onça) só posso expressar o que sinto e mesmo assim saiu uma confusão, sorry.

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  3. Conheço uma criança com T21 que tem agora 7 anos e é uma das crianças mais adoráveis que conheço, a parte difícil é saber que nem sempre os portadores deste gene se tornam 100% independentes e muitas vezes é difícil para os pais porque sabem que pela ordem natural da vida não estarão para sempre cá para ajudar... mas, hoje a doença é cada vez mais aceite de uma outra forma e sei que um dia estas diferenças não serão tão importantes como hoje as vemos.

    Beijinhos grandes

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  4. É um assunto muito delicado... Acho que todas nós mulheres sofremos com isso pelo ter de tomar uma decisão que nos marcará para a vida. Não condeno, não critico, simplesmente guardo para mim.

    Mas os americanos são muito "engraçados"... São o 8 ou o 80... Enfim.

    Beijocas :)

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